Ventos perdem força no Sudeste, mas alerta continua; rios mantêm risco no Sul após temporais

Depois de um dia marcado por rajadas superiores a 120 km/h, que provocaram mortes, quedas de árvores, destelhamentos, apagões e transtornos no transporte, o Sul e o Sudeste do Brasil ainda enfrentam condições de atenção nesta quinta-feira (30). Embora a intensidade dos ventos esteja diminuindo, a previsão indica que algumas regiões continuarão registrando rajadas moderadas, enquanto rios permanecem elevados no Sul mesmo com a redução das chuvas.

A frente fria responsável pelo cenário extremo já avança em direção ao oceano, na altura dos litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro. O sistema ainda influencia o tempo em parte do Sudeste, favorecendo a formação de muitas nuvens e mantendo ventos moderados principalmente nas áreas costeiras.

As rajadas mais intensas previstas para esta quinta devem atingir cerca de 50 km/h em pontos dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e também no litoral da Região Sul.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém um alerta amarelo de perigo potencial para ventos costeiros válido até as 23h59 desta quinta-feira. O aviso abrange áreas do sul da Bahia, Espírito Santo e do litoral fluminense, incluindo as regiões das Baixadas Litorâneas e do Norte Fluminense.

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Na escala do Inmet, o nível amarelo representa perigo potencial, seguido pelos níveis laranja (perigo) e vermelho (grande perigo).

Mesmo com a redução da intensidade dos ventos, a recomendação continua sendo evitar permanência próxima de árvores, postes, placas, telhados frágeis e estruturas que possam ter sido comprometidas pelas rajadas da quarta-feira.

Segundo o meteorologista César Soares, da Climatempo, o fenômeno foi resultado do forte contraste entre o ar quente e seco que predominava no Sudeste e a massa de ar frio e úmido associada à frente fria que avançava pelo Sul do país.

“Basicamente, o Sudeste do Brasil estava muito quente e seco, em grande contraste com o que ocorria no Sul do país, onde havia a formação de uma frente fria que conseguiu se deslocar para outras regiões”, explica.

Ao alcançar os litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro, o ar frio encontrou uma camada muito mais quente próxima à superfície, favorecendo o deslocamento intenso do ar e formando uma faixa de ventos fortes antes da chegada da chuva.

Na meteorologia, esse fenômeno é conhecido como frente de rajada.

“É o que chamamos de contraste entre duas massas de ar com propriedades muito diferentes. Nesse processo, ocorre a formação de ventos muito intensos, que, na meteorologia, recebem o nome de frente de rajada”, afirma Soares.

Esse tipo de rajada pode atingir diversas cidades consecutivamente e nem sempre é acompanhado por chuva intensa, já que o avanço do ar frio pode ocorrer antes da chegada das nuvens mais carregadas.

Foi exatamente esse cenário observado em parte dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na capital fluminense, por exemplo, os termômetros chegaram a 35,8°C na quarta-feira, mas poucas horas depois a entrada da frente fria provocou queda brusca da temperatura, aumento da nebulosidade e ventos extremamente fortes. No Aeroporto Internacional do Galeão, as rajadas alcançaram 105 km/h.

Com a atmosfera mais fria após a passagem do sistema, o contraste entre temperatura e umidade diminui, reduzindo naturalmente a intensidade dos ventos.

“Agora, a tendência é de resfriamento da atmosfera. Nesse processo, os ventos naturalmente perdem força porque já não há um contraste térmico e de umidade tão grande”, destaca o meteorologista.

Além disso, o afastamento da frente fria para o oceano enfraquece as condições que favoreceram a formação das rajadas mais severas.

“À medida que a frente fria avança para o mar, também ocorre um enfraquecimento das condições necessárias para a formação de ventos tão intensos”, acrescenta Soares.

Apesar disso, ainda são esperadas rajadas durante esta quinta-feira, porém inferiores às registradas na quarta-feira. No Rio de Janeiro, por exemplo, a previsão aponta ventos com velocidade máxima próxima dos 50 km/h.

Como fica o tempo no Sudeste

A frente fria continua provocando aumento da nebulosidade e chuva em áreas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

No estado paulista, o oeste e o sudoeste podem registrar chuva desde a madrugada. Ao longo do dia, as pancadas também podem atingir parte do interior, acompanhadas de possibilidade de trovoadas.

Na faixa leste, incluindo a capital e o litoral, o céu permanece bastante nublado, com chuva fraca e isolada alternando com períodos de melhora.

Na capital paulista, o sol deve aparecer entre muitas nuvens. A máxima prevista é de aproximadamente 24°C, enquanto a madrugada registra temperaturas próximas de 14°C.

A queda de temperatura será mais intensa no leste e no sul do estado. Em áreas da Região Metropolitana de São Paulo, durante a passagem da frente fria, os termômetros chegaram a cair cerca de 8°C em aproximadamente uma hora.

Enquanto isso, o norte e o noroeste paulista seguem sob influência do ar seco, com umidade relativa podendo ficar próxima ou abaixo dos 20% durante a tarde.

No Rio de Janeiro, os ventos frios e úmidos vindos do oceano mantêm o céu encoberto em grande parte do estado. Há previsão de chuva fraca a moderada, principalmente no litoral, na Região dos Lagos e no centro-sul fluminense.

As rajadas persistem, mas sem expectativa de repetição dos valores extremos observados na quarta-feira.

Na capital fluminense, a previsão indica sol entre muitas nuvens, possibilidade de chuva fraca e temperatura máxima próxima dos 28°C.

Em Minas Gerais, o tempo continua firme na maior parte do estado. A umidade proveniente do oceano aumenta a nebulosidade na Zona da Mata e no leste mineiro, mas a chance de chuva permanece baixa.

Belo Horizonte deve registrar predomínio de sol e máxima entre 29°C e 31°C.

Já no norte, oeste e noroeste mineiro, a umidade relativa do ar pode variar entre 12% e 20%.

No Espírito Santo, o vento úmido vindo do mar favorece chuva fraca e isolada nas áreas litorâneas. As rajadas ganham intensidade principalmente nas regiões sul e central do estado.

Sul tem redução da chuva, mas rios continuam em nível elevado

Após vários dias de temporais, o Rio Grande do Sul e grande parte de Santa Catarina terão redução das chuvas nesta quinta-feira.

Com o afastamento da frente fria e a entrada de ar mais seco, o sol volta a aparecer entre nuvens. A chuva fica concentrada em áreas da metade norte gaúcha e na divisa com Santa Catarina.

Apesar da melhora no tempo, rios e arroios permanecem elevados devido aos grandes acumulados registrados desde o início da semana.

Ainda existe risco de novas elevações e transbordamentos nas bacias dos rios Uruguai, Guaíba, Taquari e Caí, já que a água proveniente das áreas mais altas ainda segue em direção aos principais cursos d’água.

No Paraná, ainda há previsão de chuva no oeste, noroeste e interior do estado, com possibilidade de pancadas fortes e trovoadas.

A partir do sábado (1º), uma nova frente fria associada a uma área de baixa pressão entre Argentina e Uruguai volta a provocar instabilidades no Rio Grande do Sul.

As primeiras pancadas devem atingir a Campanha, o oeste e o sul gaúcho entre a madrugada e a manhã. No decorrer do dia, a chuva avança para as Missões, Região Central, Costa Doce, Vales, Noroeste e Região Metropolitana de Porto Alegre.

A previsão indica chuva forte, raios e rajadas de vento, principalmente na Campanha, oeste, Missões e Região Central.

Como rios e arroios ainda permanecem elevados, os novos volumes de chuva poderão agravar alagamentos, inundações e aumentar os riscos em áreas com solo já encharcado.

Previsão para as demais regiões

No Centro-Oeste, a chuva desta quinta-feira se concentra principalmente em Mato Grosso do Sul, com pancadas, trovoadas e rajadas de até 50 km/h.

Em Mato Grosso, há possibilidade de chuva isolada, enquanto Goiás e o Distrito Federal seguem com tempo firme e umidade abaixo dos 20%.

No Nordeste, a chuva fica restrita ao litoral entre o norte da Bahia e o Rio Grande do Norte, além do litoral do Ceará. No interior da região, o tempo continua quente e seco, com umidade também abaixo dos 20% em áreas do oeste baiano.

Na Região Norte, a previsão aponta pancadas moderadas a fortes em partes do Amazonas, Roraima, Amapá e Pará. Já o sul do Pará e o Tocantins permanecem sob influência do ar seco, com calor intenso e baixos índices de umidade.

Fonte: G1