Embora o recesso parlamentar tenha terminado oficialmente no sábado (1º/8), Câmara dos Deputados e Senado Federal decidiram adiar o retorno das sessões deliberativas para a segunda semana de agosto. A mudança ocorre enquanto partidos ainda realizam convenções em diferentes estados, na reta final do período que antecede o início oficial da campanha eleitoral.
No segundo semestre, o Congresso Nacional deverá alternar semanas de atividades semipresenciais com períodos de “esforço concentrado” em Brasília. A primeira semana destinada às votações presenciais será de 10 a 14 de agosto, quando deputados e senadores tentarão avançar sobre propostas que já contam com acordos entre as legendas nas duas Casas.
Depois disso, Câmara e Senado terão uma nova semana de votações presenciais entre 31 de agosto e 3 de setembro.
A adoção do modelo semipresencial permite que os parlamentares retornem aos estados para participar das campanhas eleitorais, que começam oficialmente em 16 de agosto, data de abertura da propaganda eleitoral.

O calendário reduzido ocorre em meio a uma série de pendências consideradas prioritárias pelo Congresso. Entre elas estão os vetos presidenciais. Em junho, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tentou levar a plenário quase 40 vetos, mas a sessão precisou ser cancelada por falta de acordo. O impasse permaneceu nas semanas que antecederam o recesso parlamentar.
Na Câmara dos Deputados, estão entre as propostas pendentes o projeto de lei que trata da misoginia, o projeto de lei complementar dos combustíveis e a proposta de reajuste do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI).
O Senado, por sua vez, concentra pautas prioritárias para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma das principais é a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Tanto essa PEC quanto a PEC da Segurança Pública continuam paradas, sem despacho de Alcolumbre.
O ritmo de funcionamento do Congresso também chama atenção neste ano eleitoral. Segundo levantamento mostrado pelo Metrópoles, Câmara e Senado realizaram, juntos, 98 sessões deliberativas entre fevereiro e julho de 2026. No mesmo período de 2022, ano das últimas eleições, foram 121 reuniões.
A diferença representa 23 sessões a menos e uma redução de aproximadamente 19% no volume de deliberações entre os dois ciclos eleitorais.
A queda ocorreu nas duas Casas. No Senado, foram 36 sessões em 2026, contra 49 em 2022, uma redução de 26,5%. Na Câmara dos Deputados, o número passou de 72 sessões em 2022 para 62 em 2026, retração de 13,9%.
Com o calendário de votações presenciais concentrado em poucas semanas, temas relevantes ainda pendentes terão de disputar espaço na agenda do Congresso durante o segundo semestre, justamente em um período marcado pela movimentação eleitoral nos estados.
Fonte: G1



