A campanha pelo governo de São Paulo começou neste domingo (16) com agendas públicas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) na Grande São Paulo. O governador reuniu prefeitos e lideranças partidárias em Osasco, enquanto Haddad participou, em São Bernardo do Campo, do comício que marcou o início da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência.
Os dois candidatos escolheram municípios da região metropolitana para iniciar a disputa, mas apresentaram estratégias e palanques distintos.
Em Osasco, Tarcísio reuniu nove prefeitos, entre eles Ricardo Nunes (MDB), além de candidatos ao Senado e representantes dos partidos que apoiam sua candidatura. Ao todo, dez legendas fazem parte da coligação do governador.
A amplitude dessa aliança é considerada um dos principais ativos políticos da campanha de Tarcísio. As dez siglas da coligação somam 336 deputados federais, o equivalente a 65% da Câmara dos Deputados. Com isso, o governador deve ter mais do que o dobro do tempo de Haddad na propaganda eleitoral de rádio e televisão.

Durante o ato em Osasco, Tarcísio também apresentou propostas e mencionou obras e serviços destinados à região. Entre as promessas estão a instalação de um Corpo de Bombeiros, a integração de serviços municipais ao Poupatempo, a implantação de um restaurante Bom Prato e avanços no projeto da Linha 22 do Metrô.
A futura linha prevê uma ligação entre Cotia e a região de Sumaré, na capital paulista, passando por Osasco.
A escolha do município também teve significado político. Osasco é administrada pelo Podemos, legenda que apoia Tarcísio. Rogério Lins, anfitrião do evento, comandou a prefeitura por dois mandatos. O atual prefeito, Gerson Pessoa, também participou da mobilização.
Já Haddad adotou uma estratégia diferente no primeiro dia oficial de campanha. Em vez de promover um evento próprio para reunir aliados, o candidato ao governo paulista participou do comício de lançamento da campanha de Lula à reeleição para a Presidência.
O ato foi realizado no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, município onde Lula iniciou sua trajetória política como líder sindical no fim da década de 1970. O formato do evento também buscou fazer referência às antigas assembleias sindicais realizadas no ABC.
Haddad dividiu o palco com Lula, Geraldo Alckmin (PSB), Janja e outras lideranças petistas.
Durante cerca de cinco minutos de discurso, o candidato não concentrou sua fala na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Haddad destacou principalmente a trajetória de Lula e resultados atribuídos aos governos do presidente.
O petista mencionou a retomada do crescimento e do emprego, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a ampliação do acesso ao ensino superior. Também lembrou que ocupou o cargo de ministro de Lula em três governos.
Haddad afirmou ainda que Lula “nunca baixou a cabeça” para líderes políticos, banqueiros ou empresários.
O lançamento oficial da candidatura de Haddad ao governo de São Paulo está previsto para esta segunda-feira (17).
A escolha da Grande São Paulo como cenário dos primeiros atos também mostra um ponto em comum entre as duas campanhas. A região metropolitana aparece como território estratégico na disputa pelo comando estadual.
Tarcísio classificou Osasco como uma cidade importante para a região e afirmou que terá “um olhar diferenciado” para o município em um eventual segundo mandato. Segundo o governador, Osasco possui o segundo maior PIB do estado.
Haddad, por outro lado, escolheu São Bernardo do Campo, um dos principais símbolos políticos do PT e do sindicalismo brasileiro. A cidade faz parte do ABC, região de peso eleitoral e historicamente ligada à trajetória de Lula.
As escolhas, porém, carregaram mensagens políticas distintas. Em Osasco, Tarcísio buscou demonstrar capilaridade eleitoral ao reunir prefeitos e partidos aliados. Em São Bernardo, Haddad reforçou sua ligação com Lula e com a história política do presidente.
Os primeiros atos também indicaram que a eleição para o governo paulista deverá sofrer influência direta da disputa presidencial.
No evento de Tarcísio, um vídeo de campanha exibido aos apoiadores procurou projetar nacionalmente a imagem do governador. O material começa com a frase “o Brasil tem um exemplo”, apresenta ações da gestão estadual e termina definindo Tarcísio como “o governador do estado que é exemplo pro Brasil”.
Haddad, por sua vez, esteve ao lado de Lula justamente no momento em que o presidente iniciou oficialmente sua própria campanha. Durante o discurso, também associou sua trajetória política à do presidente e afirmou que a “estrela” de Lula continuará acesa.
Outros candidatos ao governo de São Paulo também realizaram atividades de campanha neste domingo.
Vera Lúcia (PSTU) fez panfletagem na Avenida Paulista, na região central da capital, e em São José dos Campos, no interior paulista.
Vivian Mendes (UP) participou de uma caminhada em Guaianases, na Zona Leste de São Paulo, ao lado de Samara Martins, candidata do partido à Presidência da República.
O primeiro dia de campanha evidenciou, assim, duas estratégias diferentes na disputa estadual: Tarcísio iniciou a corrida pela reeleição sustentado por uma ampla coalizão partidária e por uma rede de prefeitos aliados, enquanto Haddad reforçou a associação direta com Lula e com o projeto nacional do PT.
Fonte: G1



