Uma professora de 25 anos denunciou um instrutor de academia após afirmar que foi agarrada à força e mordida no ombro durante um treino na Academia ElevaFit, no bairro de Passarinho, na Zona Norte do Recife. O episódio foi registrado por uma câmera de segurança do estabelecimento.
O caso ocorreu em 19 de maio e foi denunciado à polícia três dias depois, em 22 de maio. A ocorrência teve um novo desdobramento na quarta-feira (19), quando, segundo a professora, o homem acusado voltou a trabalhar na academia. A Polícia Civil investiga o caso como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal.
A professora, que preferiu não se identificar, contou ao g1 que frequentava a academia havia cerca de um ano. O instrutor já trabalhava no local e, de acordo com ela, apresentava anteriormente comportamentos que a incomodavam.
“Ele passava a mão nas minhas costas e falava coisas para o meu lado e eu nunca dei cabimento, porque eu não conhecia ele. Aí ele dizia ‘é resenha'”, contou.

Segundo a vítima, no dia do episódio ela fazia um exercício quando recebeu uma correção do instrutor. Depois, o homem se aproximou e pediu para abraçá-la.
“Ele disse ‘deixa eu te dar um abraço’ e eu respondi ‘não, me dê um murrinho [na mão], não me abrace, não’. Ele veio, me agarrou sem meu consentimento e mordeu minhas costas. Eu fiquei muito estressada, ele notou e disse que era uma brincadeira. Na hora, eu fiquei sem forças, sem reação”, disse a professora.
As imagens de segurança mostram a mulher encostada em uma rampa enquanto o instrutor se aproxima. Ela baixa a cabeça e o homem a segura pela cintura.
A professora faz um gesto negativo com a cabeça e tenta se desvencilhar, mas o instrutor a agarra e morde suas costas. Em seguida, ele a derruba nos próprios braços. Depois que é solta, a mulher se afasta, pega um papel e limpa a região da mordida.
A vítima afirmou que inicialmente não sabia como reagir à situação. Três dias depois, decidiu procurar a polícia e foi até a Delegacia da Mulher de Olinda. No local, recebeu a orientação de registrar a denúncia no Recife, onde fez o boletim de ocorrência.
No dia seguinte, ela comunicou o episódio à academia. Segundo a professora, a dona do estabelecimento afirmou que afastaria o funcionário.
Durante três meses, a vítima disse não ter encontrado novamente o homem no local. Porém, na quarta-feira (19), foi treinar em um horário diferente do habitual e encontrou o instrutor novamente na academia.
“Eu tinha deixado para lá, e nem tinha divulgado o vídeo nem nada, porque não queria manchar o nome da academia, nem prejudizar ele mesmo. A dona da academia disse que eu estava segura, que não iria mais vê-lo na academia, nem pelas redondezas, porque ele morava longe. Ontem, quando vi, ele estava lá, com a mesma roupa dos outros instrutores”, contou.
Após o reencontro, a professora telefonou duas vezes para a delegacia onde havia registrado o boletim de ocorrência e foi orientada a comparecer pessoalmente.
Na quinta-feira (20), ela foi à Delegacia da Mulher de Santo Amaro, no Centro do Recife. Segundo a vítima, os policiais refizeram a denúncia e, dessa vez, anexaram ao boletim o vídeo que registrou o episódio.
A ocorrência foi registrada como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. A professora também foi encaminhada ao Instituto de Medicina Legal (IML) para realizar exame de corpo de delito.
Procurada, a Academia ElevaFit afirmou que o instrutor não foi recontratado nem readmitido. Segundo o estabelecimento, integrantes da equipe precisaram se afastar por motivos médicos e a administração tentou encontrar substitutos, mas não conseguiu.
Por esse motivo, o ex-funcionário teria sido chamado “excepcionalmente para a cobertura de duas diárias”.
“Na ocasião, antes dessa cobertura pontual, o antigo profissional informou à administração que não havia recebido qualquer notificação, intimação ou chamado de autoridade relacionado ao episódio. Até aquele momento, a academia também não tinha conhecimento de novos desdobramentos formais do caso”, informou a academia.
A ElevaFit declarou ainda que a participação do profissional ocorreu “de maneira excepcional e temporária, sem qualquer reintegração ao quadro da academia”.
A academia afirmou que, em maio, assim que tomou conhecimento da denúncia, “adotou as providências cabíveis, inclusive com o desligamento do profissional, além de prestar assistência à aluna e disponibilizar as imagens do ocorrido”.
“A instituição não compactua com a conduta relatada e permanece à disposição para colaborar com a aluna e com as autoridades competentes. […] A instituição reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e o bem-estar de seus alunos e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários”, diz a nota da academia.
Fonte: G1



