Satélite espião dos EUA explode após quase 40 anos em órbita e levanta dúvidas

Um satélite espião dos Estados Unidos explodiu em órbita no dia 13 de setembro, segundo confirmação das Forças Espaciais dos EUA. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Live Science nesta segunda-feira (28), mas as autoridades americanas ainda não informaram o que provocou a destruição do equipamento.

Conhecido como USA 32 ou Farrah III, o satélite foi lançado em setembro de 1988. Documentos secretos desclassificados pelo governo dos Estados Unidos neste ano revelaram que o equipamento integrava um programa utilizado para interceptar sinais de rádio e de radares soviéticos durante a Guerra Fria.

Dados de serviços de monitoramento indicam que o satélite se fragmentou a aproximadamente 775 quilômetros de altitude. O serviço S2A também identificou destroços do equipamento espalhados pela órbita terrestre.

Até a publicação das informações, o governo americano não havia divulgado detalhes adicionais sobre o incidente.

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Especialistas consultados pela Live Science apontaram algumas possibilidades para explicar a explosão. Uma delas é uma colisão espacial, seja com outro equipamento ou com fragmentos de lixo espacial, uma das causas conhecidas de destruição de satélites.

Outra hipótese é que o USA 32 tenha sido atingido por uma pequena rocha espacial que estivesse em órbita. Segundo a possibilidade levantada pelos especialistas, o objeto poderia ter atingido o satélite em alta velocidade sem ter sido detectado anteriormente.

Também existe a possibilidade de o equipamento ter chegado ao fim de sua vida útil e colapsado após quase quatro décadas em órbita.

O episódio ganhou ainda mais atenção por ter ocorrido um dia antes de uma declaração do secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Troy Meink. Em 12 de setembro, ele afirmou que os EUA possuem armas de controle espacial posicionadas em órbita, embora não tenha informado quais são os equipamentos nem explicado como funcionam.

“Os Estados Unidos agora têm, em órbita, armas de controle espacial capazes de defender as forças conjuntas contra adversários hostis”, afirmou Meink durante um discurso.

Um funcionário do governo americano ouvido pelo The Washington Post, sob condição de anonimato, afirmou que o dispositivo seria capaz de destruir um satélite inimigo caso ele estivesse sendo utilizado para atacar tropas ou satélites dos Estados Unidos.

A declaração representou a primeira vez que os EUA reconheceram publicamente possuir uma capacidade ofensiva no espaço. Durante anos, o governo americano acusou China e Rússia de realizar manobras militares em órbita, incluindo o emprego de lasers e técnicas de interferência que poderiam ameaçar satélites americanos.

Apesar da proximidade entre a declaração sobre armas espaciais e a explosão do USA 32, não há, até o momento, informação oficial que estabeleça uma relação entre os dois acontecimentos.