Horta vira sala de aula e estimula crianças de Guarulhos a explorar natureza, arte e alimentação saudável

Crianças da educação infantil da EPG Tizuko Sakamoto, no Conjunto Marcos Freire, em Guarulhos, transformaram o contato com a terra, as plantas e os alimentos em uma experiência de aprendizagem que reúne natureza, literatura, artes e brincadeiras. A iniciativa articulou os projetos “Boas Práticas na Horta” e “Brincando com História e as Múltiplas Linguagens” ao longo do ano letivo.

Voltada a crianças de 0 a 3 anos, a proposta está alinhada aos eixos de interações e brincadeiras da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e busca promover o desenvolvimento integral dos alunos por meio da exploração do meio ambiente, do corpo, dos sentidos, da imaginação e das relações cotidianas.

As atividades permitiram que os pequenos tivessem contato direto com elementos naturais, como terra, água e plantas, em experiências sensoriais relacionadas à realidade. A literatura também foi incorporada à proposta, com histórias ligadas ao universo da horta, estimulando a escuta, a oralidade, a imaginação e a curiosidade.

Segundo a diretora Darcy Medeiros, as diferentes linguagens artísticas estiveram presentes durante as atividades. Desenho, música, dança, movimento corporal e brincadeiras simbólicas foram utilizados para que as crianças pudessem expressar sentimentos, descobertas e percepções.

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O projeto também trabalhou hábitos saudáveis e a valorização de alimentos naturais, além de incentivar o cuidado com o meio ambiente e a responsabilidade coletiva. O contato com obras literárias, materiais artísticos e diferentes formas de expressão contribuiu ainda para ampliar o repertório cultural das crianças.

Horta adaptada para segurança e acessibilidade

Para garantir a participação dos alunos com segurança, os espaços e as rotinas foram adaptados. Os canteiros foram instalados em alturas adequadas e os momentos de higienização passaram a integrar as atividades, incluindo a lavagem das mãos antes e depois do contato com a terra.

A rotina também envolveu a rega das plantas, a observação diária do crescimento das espécies e a degustação de ervas e hortaliças durante as refeições.

As experiências permitiram que as crianças participassem coletivamente dos cuidados com a horta e recriassem, por meio das brincadeiras, histórias e situações relacionadas ao cultivo, à organização e à manutenção dos espaços.

Ao explorar texturas, aromas, cores e sons da natureza, os alunos também puderam desenvolver conhecimentos sobre si mesmos, ampliar a autonomia e fortalecer práticas de autocuidado e alimentação saudável.

Crianças experimentam alimentos e transformam beterraba em tinta

No Projeto Horta, as crianças do Berçário II iniciaram as atividades com uma roda de interação mediada por recursos visuais. Um cartaz ilustrativo sobre a horta foi utilizado para estimular a leitura de imagens, ampliar o vocabulário e ajudar no reconhecimento dos elementos presentes naquele ambiente.

Em seguida, os alunos exploraram mudas de alface, beterraba, cebolinha e rúcula, alimentos presentes no cardápio escolar. Eles observaram folhas, raízes e aromas para compreender a origem dos alimentos antes de realizar o plantio nos canteiros.

As professoras perceberam que algumas crianças apresentavam resistência em experimentar a beterraba. Para ampliar o contato com o alimento, foram propostas experiências multissensoriais com a beterraba crua e cozida. Os alunos puderam investigar características do alimento por meio do tato, da visão, do olfato e do paladar.

A atividade ganhou ainda um desdobramento artístico. Pedaços de beterraba foram utilizados como instrumentos de pintura, permitindo que as crianças explorassem cores, texturas, marcas e movimentos. A experiência resultou em garatujas, consideradas os primeiros entendimentos do sistema de escrita, e registros gráficos espontâneos, fortalecendo a expressão criativa e a linguagem visual.

Maternal participa do cultivo dos canteiros

As turmas do Maternal A e B também participaram do Projeto Horta por meio de investigações práticas, rodas de conversa e atividades de manutenção dos canteiros.

Durante as vivências, as crianças conheceram processos naturais, participaram de atividades coletivas e aprenderam sobre a origem dos alimentos saudáveis, ao mesmo tempo em que tiveram espaço para a livre expressão e para o respeito ao ritmo individual de desenvolvimento.

Segundo as professoras, as experiências contribuíram para a construção de conhecimentos relacionados ao meio ambiente, alimentação, corpo, linguagem e convivência.

A integração entre os dois projetos da EPG Tizuko Sakamoto buscou assegurar os direitos de aprendizagem previstos para a educação infantil no currículo municipal. A proposta colocou as crianças como participantes ativas das experiências e trabalhou, desde os primeiros anos, conceitos de protagonismo, autocuidado e consciência ambiental de maneira lúdica e por meio das múltiplas linguagens.