Justiça revoga prisão preventiva de Gabriel Spalone, preso em Guarulhos por suspeita de extorsão

A Justiça revogou a prisão preventiva do empresário e influenciador digital Gabriel Spalone Alves, que estava detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, na Grande São Paulo. A decisão foi tomada pelo juiz Fabio Martins Marsiglio, que determinou o cumprimento de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com os denunciantes e seus familiares e a restrição de aproximação a menos de 500 metros deles.

Gabriel é investigado por suspeita de extorsão contra dois empresários em meio a uma disputa financeira envolvendo valores relacionados a investimentos em criptoativos. Na avaliação do magistrado, documentos apresentados pela defesa acrescentaram elementos ao processo e levantaram dúvidas sobre a natureza da cobrança e a possível existência de uma controvérsia comercial entre os envolvidos.

A decisão não representa uma declaração de inocência nem encerra a ação penal. O juiz ressaltou que a existência do crime e as circunstâncias dos fatos deverão ser examinadas durante a instrução processual.

A defesa é representada pelo advogado Eduardo Maurício, que confirmou a revogação da prisão preventiva. Em nota, ele classificou a decisão como correta e afirmou que ela demonstraria a inocência do empresário. Segundo o advogado, Gabriel não cometeu extorsão, e a denúncia seria resultado de uma manobra de terceiros para evitar o pagamento de valores que, conforme a defesa, seriam legalmente devidos ao influenciador.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os advogados sustentam que o caso tem origem em um desacerto comercial entre as empresas Life Coin e CargoBR. Entre os documentos considerados pela Justiça está um boletim de ocorrência registrado por Gabriel em 11 de junho de 2026, antes da notícia-crime apresentada pelos denunciantes, em 20 de agosto do mesmo ano.

O magistrado também levou em conta conversas entre o empresário e Bruno Bonametti de Miranda, advogado dos denunciantes que já havia defendido Gabriel anteriormente, além de relatórios técnicos apresentados ao processo.

Suspeita envolve ameaças e menção ao PCC

Gabriel teve a prisão preventiva decretada em 9 de outubro, após ser preso no dia 8, sob suspeita de extorquir e ameaçar dois empresários. Segundo a acusação, ele cobrava uma dívida e teria afirmado integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC), além de ameaçar sequestrar familiares dos envolvidos caso não recebesse o dinheiro exigido.

Os denunciantes são Marcio Eduardo Nozari e Marcel Rosica Anconi, sócios da empresa Cargobr Transportes Ltda. A divergência teria surgido após os empresários alegarem que compensaram a dívida com valores relacionados a outro negócio envolvendo Márcio e Gabriel, que teria provocado prejuízo financeiro. A discordância sobre essa compensação teria motivado as cobranças.

Conforme as acusações, as ameaças também teriam sido direcionadas ao advogado dos empresários. As alegações ainda são objeto de investigação e não representam fatos definitivamente comprovados.

A prisão temporária de Gabriel, com duração inicial de cinco dias, foi cumprida por policiais civis da 1ª Delegacia Antissequestro, vinculada ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope). Na ocasião, ele passou por audiência de custódia, procedimento destinado a verificar a legalidade da prisão.

Em manifestação anterior, o advogado Eduardo Maurício contestou a conversão da prisão temporária em preventiva e afirmou que a medida teria ocorrido de forma irregular. A defesa também negou a existência de ameaças, extorsão ou vínculo do empresário com o PCC.

Investigação anterior apura suspeita de fraude de R$ 146 milhões

Gabriel Spalone também responde a um processo criminal por suspeita de furto qualificado e associação criminosa relacionado a um esquema que teria movimentado ilegalmente R$ 146 milhões por meio de transferências via Pix.

Em 2025, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão e prisão temporária contra o influenciador, mas ele não foi localizado inicialmente. Os investigadores suspeitam que empresas ligadas a Gabriel tenham participado de operações financeiras irregulares envolvendo contas bancárias de um banco e de empresas vítimas das transferências.

Segundo a investigação, as empresas ofereciam serviços financeiros digitais, incluindo operações de câmbio, criptomoedas e pagamentos, mas não tinham autorização do Banco Central para realizar transferências diretas via Pix. Por isso, utilizariam a estrutura de instituições financeiras autorizadas para intermediar as operações, prática descrita como Pix indireto.

Em fevereiro de 2026, as empresas teriam realizado mais de 600 transferências em menos de cinco horas, utilizando dez contas de um único banco e movimentando R$ 146 milhões. A instituição financeira conseguiu identificar a fraude e recuperar R$ 100 milhões, segundo as informações da investigação.

Após deixar o Brasil, Gabriel foi detido na Argentina, em setembro de 2025, ao chegar ao Aeroporto Internacional de Buenos Aires, depois de ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol. A prisão contou com a colaboração de autoridades de diferentes países, incluindo Argentina, Panamá, Paraguai e Estados Unidos, conforme informações divulgadas pela Polícia Federal. Posteriormente, ele foi extraditado para o Brasil.

Em fevereiro de 2026, a Justiça concedeu liberdade provisória ao influenciador no processo relacionado à suspeita de desvio milionário via Pix. Agora, com a revogação da prisão preventiva no caso de extorsão, Gabriel deverá responder à investigação sob as medidas cautelares determinadas judicialmente.