Julgamento do caso Porsche: testemunhas dizem que Fernando Sastre bebeu antes de acidente fatal

O julgamento de Fernando Sastre começou nesta quarta-feira (28), no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Acusado de provocar a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana ao dirigir um Porsche em alta velocidade, o réu pode ser condenado a 20 anos de prisão, conforme pedido do Ministério Público.

No primeiro dia de julgamento, quatro pessoas prestaram depoimento. Duas testemunhas confirmaram que Fernando havia consumido bebida alcoólica antes de assumir a direção do veículo. A defesa sustenta que o caso deve ser tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

O primeiro depoimento foi de Marcus Vinícius Rocha, amigo de Fernando que estava no Porsche no momento da colisão. Ouvido como testemunha e vítima, já que também ficou ferido, ele afirmou que o motorista estava alterado por causa do álcool. Marcus disse ainda que entrou no carro porque não queria deixar o amigo sozinho.

Na sequência, Lucas, filho de Ornaldo, relatou as dificuldades financeiras e psicológicas enfrentadas por ele, pela mãe e pelos dois irmãos após a morte do pai. Segundo o depoimento, a família precisou receber cestas básicas de parentes e de uma igreja evangélica. Os familiares também continuam sendo cobrados pelo financiamento do carro da vítima.

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A última pessoa ouvida, por videoconferência, foi a ex-namorada de Marcus. Ela também afirmou que Fernando havia bebido e estava cambaleante antes de dirigir.

O Ministério Público acusa Sastre de homicídio qualificado por perigo comum, na modalidade de dolo eventual — quando o acusado assume o risco de matar —, além de lesão corporal gravíssima. Ao todo, 14 testemunhas devem ser ouvidas antes do interrogatório do réu. A previsão é que o julgamento termine nesta quinta-feira (29).

Acidente ocorreu em março de 2024

Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, morreu na madrugada de 31 de março de 2024, depois que o Renault Sandero que dirigia foi atingido na traseira pelo Porsche conduzido por Fernando Sastre. A colisão aconteceu na Avenida Salim Farah Maluf, na Zona Leste da capital paulista, e foi registrada por câmeras de segurança.

Segundo a acusação, Fernando dirigia após consumir bebida alcoólica e trafegava muito acima do limite de velocidade. Um laudo do Instituto de Criminalística apontou que o Porsche estava a aproximadamente 136 km/h no momento do impacto, em um trecho onde a velocidade máxima permitida é de 50 km/h.

Ornaldo foi socorrido e levado ao Hospital Municipal do Tatuapé, mas não resistiu aos ferimentos. Após a morte do pai, o filho Luam Silva publicou nas redes sociais: “Um sentimento de injustiça gigantesco dentro de mim”. Ele também pediu que a Justiça fosse feita.

Fernando deixou o local da colisão e se apresentou à polícia no dia seguinte. Ele está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024.

Defesa contesta tratamento dado ao caso

O advogado Jonas Marzagão afirma que Fernando é o único motorista envolvido em um acidente fatal que permanece preso em São Paulo. A defesa argumenta que o caso deve ser enquadrado como homicídio culposo.

“Todos os reús nos casos similares estão respondendo em liberdade, inclusive com teste de bafômetro comprovando o uso do bebida alcoólica, e fuga do local de acidente. O que não aconteceu no caso de Fernando. Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento”, afirmou Marzagão.

O advogado também declarou que o cliente não acionou o socorro porque outras pessoas já haviam telefonado para pedir ajuda enquanto ele era retirado do veículo. Segundo Marzagão, Fernando permaneceu no local até ser liberado pelas autoridades.