A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou cinco novas canetas injetáveis à base de liraglutida e semaglutida, medicamentos utilizados no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade. São três produtos indicados para diabetes e dois voltados ao controle do peso.
Com as novas autorizações, que têm publicação prevista para esta quinta-feira (29), o total de canetas dessa classe aprovadas pela agência em 2026 chega a 20.
Os medicamentos pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, que imitam a ação de um hormônio intestinal envolvido no controle da glicose e do apetite. A ampliação dos registros pode aumentar a concorrência entre fabricantes, mas não significa que os produtos estarão imediatamente disponíveis nas farmácias ou que os preços cairão. As datas de lançamento e os valores ainda não foram divulgados.
Quais são as cinco novas canetas aprovadas?

As autorizações contemplam três medicamentos à base de liraglutida e dois de semaglutida:
- Aribet (liraglutida): registrado pela Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos e fabricado pela indiana Biocon.
- Embeltah (semaglutida): registrado pela Dr. Reddy’s Farmacêutica do Brasil e fabricado pela indiana OneSource Specialty.
- Sevema (semaglutida): registrado pela Aché Laboratórios Farmacêuticos, com fabricação da OneSource Specialty.
- Lyrza (liraglutida): indicado para controle do peso em conjunto com exercícios físicos e mudanças na alimentação. O registro é da Farma Vision, e a fabricação é da Biocon.
- Wylovol (liraglutida): também indicado para o controle da obesidade, associado à prática de exercícios e à alimentação adequada. É registrado pela Farma Vision e fabricado pela Biocon.
Apesar de alguns medicamentos compartilharem o mesmo princípio ativo, suas indicações e seus esquemas de tratamento podem ser diferentes. Uma caneta aprovada para diabetes, por exemplo, não está automaticamente autorizada para tratar a obesidade.
Concorrência pode aumentar, mas queda de preços não é garantida
A entrada de novos produtos amplia as opções disponíveis no mercado brasileiro, que ganhou concorrentes nos últimos anos, especialmente após o vencimento de patentes e a chegada de novas versões de medicamentos já conhecidos.
A liraglutida é o princípio ativo do Saxenda, indicado para controle do peso, e do Victoza, utilizado no tratamento da diabetes tipo 2. Já a semaglutida está presente no Ozempic, indicado para diabetes tipo 2, e no Wegovy, aprovado para controle do peso.
Mesmo utilizando moléculas conhecidas, os novos produtos precisam cumprir os requisitos de qualidade, segurança e eficácia avaliados pela Anvisa. O registro sanitário, por si só, não determina quando os medicamentos chegarão às farmácias.
No Brasil, os preços máximos dos medicamentos são regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O impacto das novas aprovações sobre os valores cobrados dependerá da entrada efetiva dos produtos no mercado e da concorrência entre os fabricantes.
Anvisa prioriza análise de medicamentos à base de GLP-1
A aprovação faz parte de uma estratégia iniciada em agosto de 2025 para acelerar a análise de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida. Segundo a agência, a iniciativa foi motivada por uma solicitação do Ministério da Saúde, com o objetivo de ampliar as possibilidades de acesso aos tratamentos e fortalecer o abastecimento nacional.
A medida também integra as ações do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), voltadas ao desenvolvimento e à produção de tecnologias consideradas estratégicas para o país. Para viabilizar a prioridade nas análises, a Anvisa publicou o Edital de Chamamento nº 12/2025.
Ao longo de 2026, a agência autorizou novas versões dessas substâncias, incluindo produtos de fabricantes nacionais e estrangeiros. Em setembro, por exemplo, foram aprovados dois genéricos de liraglutida da EMS, vinculados aos medicamentos Olire, indicado para obesidade, e Lirux, utilizado no tratamento da diabetes tipo 2.
Como funcionam as canetas de liraglutida e semaglutida?
O GLP-1 é um hormônio liberado pelo intestino após a alimentação. Ele participa da regulação da glicose no sangue e dos mecanismos de fome e saciedade.
Os medicamentos que imitam sua ação estimulam a liberação de insulina quando a glicose está elevada, retardam o esvaziamento do estômago e atuam em regiões do cérebro relacionadas ao apetite. Esses efeitos podem melhorar o controle da diabetes e contribuir para a perda de peso.
Uma diferença importante entre as duas substâncias é a frequência de aplicação. A liraglutida geralmente é administrada diariamente, enquanto a semaglutida injetável utilizada no tratamento da diabetes e da obesidade costuma ser aplicada uma vez por semana.
Os medicamentos, porém, não apresentam necessariamente os mesmos resultados, doses ou indicações. Por isso, não devem ser substituídos uns pelos outros sem avaliação médica.
Venda exige receita médica e há risco de efeitos adversos
Desde 2025, a venda de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 no Brasil exige apresentação de receita médica, que fica retida na farmácia. A medida foi adotada pela Anvisa diante do aumento do uso desses produtos sem acompanhamento profissional.
Embora sejam frequentemente chamados de canetas emagrecedoras, esses medicamentos podem causar efeitos adversos, como náuseas, vômitos e diarreia. Também existem riscos menos frequentes, mas potencialmente graves, como a pancreatite aguda.
A indicação deve considerar as condições de saúde do paciente, possíveis contraindicações e os objetivos do tratamento. A avaliação e o acompanhamento médico são essenciais para o uso seguro desses medicamentos.



