STJ analisa novo pedido de liberdade de Deolane Bezerra, presa em investigação sobre suposta ligação com o PCC

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) julga nesta terça-feira (9/6) um novo pedido de liberdade apresentado pela defesa da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa sob suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O julgamento ocorre após a presidência do STJ negar habeas corpus anterior, sob o entendimento de que ainda não havia sido analisado recurso semelhante no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O novo pedido busca justamente que o caso seja apreciado pela Corte superior.

Durante a sessão, está prevista a sustentação oral do advogado de defesa, Aury Celso Lima Lopes Junior, e do promotor de Justiça Arthur Pinto de Lemos Junior.

Deolane foi presa em 21 de maio de 2026, durante operação da Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público estadual. Segundo as investigações, ela teria ligação com familiares de lideranças do PCC e teria sido usada na movimentação e ocultação de valores oriundos de atividades ilícitas. A polícia aponta movimentação de R$ 13,6 milhões em contas pessoais e cerca de R$ 14 milhões em empresas ligadas a ela.

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A defesa sustenta que não há requisitos legais para a prisão preventiva, alegando ausência de risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal, além de afirmar que as provas já estão sob posse das autoridades.

Ao negar o habeas corpus em 28 de maio, o presidente do STJ, Herman Benjamin, afirmou que não havia excepcionalidade que justificasse intervenção imediata da Corte antes da análise do recurso no TJSP, defendendo o esgotamento da instância inferior.

As investigações também citam a atuação de Everton de Souza, conhecido como “Player” ou “Temer”, apontado como intermediador financeiro do PCC. Ele seria responsável por operações envolvendo empresas de fachada e repasses de valores que teriam chegado à advogada, segundo a polícia.

De acordo com os investigadores, há registros de transferências, depósitos em espécie e relações pessoais e profissionais entre Deolane e o investigado, incluindo aluguel de imóvel e atuação dela como representante legal em alguns casos. A defesa afirma que os valores recebidos se referem à prestação de serviços advocatícios.

A apuração teve início em 2019 e avançou com a Operação “Lado a Lado”, deflagrada em 2021, que identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis e suspeitas de atuação de braço financeiro da organização criminosa.

Fonte: METRÓPOLES