Investigação da Operação Vérnix identifica transferências da Transunião a familiar do líder da facção e detalha movimentações de centenas de milhões de reais.
A investigação que deu origem à Operação Vérnix, responsável pela prisão da influenciadora Deolane Bezerra em maio, identificou que Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, recebeu repasses da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A., apontada como integrante de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Segundo o inquérito, Leonardo seria beneficiário direto de estruturas criadas para ocultação de recursos do crime organizado. Ele é filho de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola.
De acordo com os investigadores, o esquema teria movimentado cerca de R$ 746 milhões em créditos em contas vinculadas ao grupo. Desse total, aproximadamente R$ 301,8 milhões teriam origem em depósitos em dinheiro vivo sem identificação, prática associada à lavagem de dinheiro.

A apuração também aponta um repasse direto de R$ 50 mil da Transunião para Leonardo, reforçando a suspeita de que a empresa era usada como instrumento para movimentação de valores ilícitos.
O sobrinho de Marcola também aparece em mensagens atribuídas a Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro, como destinatário de valores repassados pelo pai, sendo citado pelo codinome “L”.
Segundo a investigação, a Transunião, alvo da Operação Última Parada, mantém ligações com outros nomes apontados como parte do núcleo financeiro da organização criminosa, entre eles Everton de Souza, conhecido como “Player”, descrito como operador responsável por supervisionar fluxos financeiros do grupo.
Ele foi preso no mês passado em operação relacionada ao caso Deolane Bezerra. Ainda de acordo com os investigadores, há indícios de que a Transunião tenha transferido um veículo de luxo para o nome do atual presidente da empresa, Lourival de França Monário, conhecido como “Orelha”.
Na mesma operação, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram a Operação Última Parada contra um esquema de lavagem de dinheiro no setor de transporte público, com cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão.
Entre os presos estão o vereador da capital Senival Moura (PT), Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento (“Sapo”), motorista ligado ao parlamentar.
Os investigados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações.
Outros alvos incluem Lourival Monário (“Orelha”), atual presidente da empresa, que está na Itália, e Leonel Moreira Martins (“Cabeça Branca”), apontado como interlocutor direto do PCC dentro da companhia.
Segundo dados do SPUrbanuss, a Transunião opera 51 linhas de ônibus e transporta cerca de 389 mil passageiros por dia na capital paulista, principalmente na Zona Leste.
A Justiça determinou o afastamento dos atuais administradores da empresa. Já a Prefeitura de São Paulo anunciou intervenção para garantir a continuidade do serviço.
Fonte: G1



