A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Hawala para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou pelo menos R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas. Até a última atualização, 10 pessoas haviam sido presas.
Durante as investigações, a Polícia Civil informou ter identificado uma possível conexão entre o grupo investigado e um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.
Segundo os investigadores, o esquema prestava serviços financeiros ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Al-Qaeda é uma organização terrorista internacional fundada por Osama bin Laden no fim da década de 1980 e ficou conhecida mundialmente pelos ataques de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas, em Nova York.

A operação é conduzida por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), além de promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).
Ao todo, foram expedidos 10 mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além de Foz do Iguaçu, no Paraná.
A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro também determinou o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens e participações societárias dos investigados.
O Gaeco denunciou 22 pessoas no processo. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira recebeu integralmente a denúncia, tornando todos os acusados réus.
Até o momento, os presos são:
- Ali Alfakih;
- Barbara de Oliveira Rosa;
- Bárbara Luzia Souza de Carvalho;
- Kassem Zayoun;
- Lucas Gabriel Vidal;
- Reda Zayoun;
- Samuel Morais da Hora;
- Thierry Martins Lourenço Ribeiro;
- Yago Jorge de Souza Daniel;
- Yasser Zayoun.
As investigações tiveram início na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que identificou uma empresa “multimarcas” instalada no Complexo do São Carlos e ligada à cúpula do Terceiro Comando Puro. O estabelecimento comercializava produtos falsificados e recebia aparelhos eletrônicos roubados.
A partir da identificação dos responsáveis pela empresa, os investigadores descobriram uma rede composta por dezenas de empresas de fachada espalhadas por diferentes estados, utilizadas para ocultar e movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Segundo a Polícia Civil, o grupo também recorria à prática conhecida como smurfing, que consiste na realização de depósitos fracionados em dinheiro para dificultar os mecanismos de fiscalização e controle financeiro.
Durante o aprofundamento das investigações, foi identificado ainda um núcleo formado por empresários de origem libanesa, apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos valores ilícitos.
A Polícia Civil informou que foram encontrados elementos indicando a atuação desse grupo na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, área monitorada por organismos nacionais e internacionais especializados no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo por ser considerada um importante centro de operações financeiras e logísticas desses grupos.
Os investigadores também localizaram uma relação comercial entre uma empresa ligada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas.
De acordo com a Polícia Civil, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.
A corporação informou que a possível ligação será aprofundada a partir da análise do material apreendido durante a Operação Hawala.
Fonte: G1



