Justiça retira tornozeleira de Japa do PCC após PF cancelar passaporte

Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC, passou a cumprir prisão domiciliar sem tornozeleira eletrônica a partir da manhã desta quarta-feira (19/8). A retirada do equipamento ocorreu depois que a Polícia Federal (PF) cancelou o passaporte apreendido da mulher, condenada por crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A Justiça de São Paulo já havia revogado o uso da tornozeleira no início de agosto, mas condicionou a retirada do equipamento à entrega dos passaportes de Karen às autoridades.

Posteriormente, porém, foi localizado outro passaporte válido até 2028 que não constava no processo, o que levou a Justiça a recuar na decisão naquele momento.

Na ocasião, o advogado de Karen afirmou que ela havia entregue o documento que tinha em mãos, vencido em 2008. A defesa alegou ainda que o outro passaporte teria sido apreendido pela Polícia Civil, mas não incluído no inquérito.

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Em nota divulgada na época, a Polícia Civil negou ter apreendido qualquer passaporte pertencente à investigada. A corporação também afirmou que todos os materiais “recolhidos em ações de polícia judiciária são obrigatoriamente documentados e submetidos ao devido controle legal”.

Karen cumpre prisão domiciliar desde 2024 por suspeita dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Na operação que resultou na prisão, a Polícia Civil apreendeu mais de R$ 1 milhão em dinheiro em espécie na residência dela, além de um veículo de luxo e mais de US$ 50 mil.

Segundo as investigações, Karen mantinha um relacionamento amoroso com Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, apontado como um dos principais integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Após a morte de Wagner, em 2018, Karen abriu uma empresa e passou a movimentar valores considerados incompatíveis com o patrimônio que possuía anteriormente. De acordo com a apuração, a movimentação financeira ultrapassou R$ 35 milhões.

A linha de investigação aponta que a chamada “Japa do PCC” teria utilizado dinheiro proveniente do tráfico nacional e internacional de drogas para realizar investimentos em negócios do setor de beleza, empreendimentos imobiliários e empresas de fachada.

Segundo a apuração, a finalidade seria ocultar a origem ilícita dos recursos.

Inicialmente, a Justiça decretou a prisão preventiva de Karen. Posteriormente, a medida foi substituída pela prisão domiciliar.

Em 2025, outras medidas cautelares foram determinadas, entre elas o comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades, além do recolhimento domiciliar durante o período noturno e nos dias de folga.

Fonte: METRÓPOLES