Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público que cita estratégia para transferir patrimônio aos Emirados Árabes por meio de empresas de fachada. Defesa nega qualquer ligação da influenciadora com o crime organizado.
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra é apontada pela Justiça de São Paulo como integrante de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que, segundo investigação do Ministério Público, planejava expandir suas operações com a transferência de ativos para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A informação consta na decisão do juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, que aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou Deolane ré, juntamente com Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros investigados, por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, o grupo elaborava um plano para reestruturar empresas ligadas à organização com o objetivo de transferir patrimônio para os Emirados Árabes Unidos, país citado na decisão como associado ao uso de shell companies (empresas de fachada) para facilitar a lavagem internacional de ativos.
Relatórios de inteligência financeira mencionados na decisão apontam que Deolane movimentou cerca de R$ 27 milhões em contas bancárias. De acordo com a análise, foram identificados indícios de técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como pulverização de depósitos, utilização de terceiros para movimentação de recursos e inconsistências em declarações fiscais.
Conforme a denúncia do Ministério Público, a influenciadora teria recebido repasses provenientes de uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau (SP), apontada pela investigação como controlada pelo PCC.
Ainda segundo os promotores, Everton de Sousa, conhecido como “Player” ou “Temer”, apontado como operador financeiro de Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, seria o responsável por coordenar os repasses.
A investigação também cita áudios atribuídos a Deolane enviados a uma diarista. Segundo o Ministério Público, as mensagens indicariam que parte dos valores atribuídos ao PCC era armazenada em imóveis da influenciadora e de seus filhos.
A Justiça determinou o sequestro de bens de alto valor registrados em nome de Deolane ou de empresas ligadas a ela. Entre os veículos listados na decisão estão uma Lamborghini Huracán, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Escalade.
Com o recebimento da denúncia, Deolane passou à condição de ré. A decisão dá início à ação penal, mas não representa condenação. O processo seguirá para a fase de produção de provas e apresentação das defesas antes de eventual julgamento.
Deolane Bezerra está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026 na unidade prisional de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
Além da influenciadora e de Marcola, também respondem ao processo Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa.
Em nota conjunta, os advogados Aury Lopes Júnior, Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes afirmaram que Deolane é inocente e que utilizarão todos os meios de prova necessários para esclarecer os fatos e afastar qualquer alegação de ilicitude.
A defesa também declarou que a influenciadora não possui qualquer vínculo com o crime organizado e sustentou que todos os seus rendimentos têm origem lícita e foram regularmente declarados.
Fonte: G1


