OAB de SP suspende registro de Deolane Bezerra por 90 dias em meio a investigação criminal

Advogada está presa preventivamente e é suspeita de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e ligação com o PCC

A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) suspendeu o exercício profissional da advogada Deolane Bezerra Santos. A medida foi informada nesta quarta-feira (24) e tem efeito imediato, impedindo que ela exerça a advocacia por 90 dias.

Deolane está presa preventivamente desde 22 de maio no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP). Ela é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), associação com o tráfico de drogas e possível participação em organização criminosa.

Em nota, a defesa da influenciadora afirmou ter sido surpreendida com a decisão e alegou que a suspensão ocorreu sem respeito ao contraditório e ao direito de defesa. Os advogados classificaram a medida como “equivocada” e “inadequada”, informando que irão recorrer.

Segundo a OAB-SP, a suspensão pode ser prorrogada sucessivamente até o limite de 360 dias e será analisada de forma definitiva pelo Tribunal de Ética e Disciplina da entidade. A instituição também afirmou que os processos tramitam sob sigilo, conforme previsto na legislação.

A decisão ocorre em meio ao avanço das investigações contra a advogada. De acordo com relatórios policiais, ela teria movimentado R$ 13,6 milhões entre 2018 e 2022 em contas pessoais, além de R$ 14 milhões em empresas ligadas a ela. Os investigadores apontam indícios de origem considerada ilícita e uso de empresas de fachada.

A defesa nega qualquer envolvimento com crime organizado e afirma que todos os rendimentos são legais e declarados.

Deolane também foi indiciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Vérnix. Segundo a Polícia Civil, novas análises identificaram movimentações financeiras, uso de pessoas jurídicas e possíveis mecanismos para ocultação de patrimônio.

Além deste caso, a influenciadora já foi alvo de outras investigações e operações policiais desde 2022, incluindo apurações sobre apostas esportivas, jogos de azar ilegais e suposta associação com estruturas do tráfico.

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia negado pedido de liberdade apresentado pela defesa, mantendo a prisão preventiva e recomendando que instâncias inferiores analisem os recursos.

Fonte: G1