Banqueiro já havia sido preso no ano passado na mesma investigação; Banco Pleno teve liquidação decretada pelo Banco Central e caso envolve apurações sobre sistema financeiro e possíveis irregularidades
O banqueiro Augusto Ferreira Lima, controlador do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira (18), durante a nona fase da Operação Compliance Zero. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão e teve como um dos focos a sede da instituição financeira, localizada na Alameda Santos, nos Jardins, em São Paulo.
Lima já havia sido preso preventivamente pela PF em novembro do ano passado, no âmbito da mesma operação. Em fevereiro deste ano, o Banco Pleno teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil, encerrando suas atividades após sucessivos problemas financeiros e regulatórios.
Segundo as investigações, a partir de análises feitas em celulares de Daniel Vorcaro, Lima teria atuado em articulações envolvendo a tentativa de compra de carteiras do Banco Master pelo BRB, o Banco de Brasília.
A defesa de Augusto Lima afirma que as diligências desta fase seriam desnecessárias, alegando que ele já está há meses à disposição das autoridades. Em nota, sustenta que todos os fatos sob investigação são “rigorosamente lícitos” e que o empresário sempre atuou dentro da legalidade e das normas do sistema financeiro.
A trajetória de Lima inclui passagem como CEO do Banco Master e posterior aquisição do controle do Banco Pleno em 2025, com autorização do Banco Central concedida em julho do ano passado. Ele também foi sócio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, atualmente preso em Brasília.
O empresário passou a ser citado em investigações e reportagens que o associam a nomes do meio político na Bahia. Segundo apurações do blog do jornalista Valdo Cruz, Lima teria proximidade com figuras como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Ele ganhou projeção no setor financeiro após adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
Com a compra, também passou a controlar o Credcesta, cartão de benefícios voltado a servidores públicos, que teve expansão nacional em parceria com o Banco Master. Um requerimento da CPMI do INSS aponta que o produto teria se transformado em modalidade de crédito consignado amplamente distribuída, com parte das operações sem registro adequado junto às autoridades ou sem estrutura compatível para sua execução.
O documento da CPMI também indica que créditos concedidos a aposentados e pensionistas podem não ter sido devidamente informados aos órgãos competentes.
De acordo com o Banco Central, o Banco Pleno representava uma fração pequena do sistema financeiro nacional, com cerca de 0,04% dos ativos totais do setor e 0,05% das captações. Ainda assim, o órgão decidiu pela liquidação após identificar deterioração da situação econômico-financeira, problemas de liquidez e descumprimento de normas regulatórias.
O BC também destacou que a instituição deixou de cumprir exigências legais e regulatórias, o que levou ao encerramento compulsório das atividades. Com a liquidação, um administrador passa a conduzir a venda de ativos e o pagamento de credores, enquanto os bens de controladores e gestores ficam bloqueados.
As investigações seguem em andamento e podem resultar em novas sanções administrativas e encaminhamentos a outras autoridades.
O caso integra uma série de apurações envolvendo o Banco Master e instituições associadas, em meio ao escrutínio crescente sobre operações financeiras, aquisição de carteiras de crédito e possíveis irregularidades no sistema bancário brasileiro. A Operação Compliance Zero busca esclarecer a atuação de executivos e empresas em estruturas complexas do setor financeiro.
Fonte: G1


